terça-feira, 15 de setembro de 2009

Programas educacionais querem diminuir a exclusão


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Na tentativa de minimizar o déficit educacional do Brasil, o governo e a sociedade civil buscam alternativas para ampliar o aprendizado aos estudantes que não têm condições sócio-econômicas. Assim, surgem vários programas de acesso à educação e cultura, espalhados pelo país, nos diversos níveis do sistema de ensino, seja pela ação de organizações não-governamentais, instituições filantrópicas, empresas ou pela iniciativa dos governantes.

O mais novo exemplo desses projetos é o Programa Universidade para Todos, o ProUni, mantido pelo governo federal em parceria com universidades particulares. Criado em 2004, ele visa incluir as camadas mais pobres da população no sistema do ensino superior, através de bolsas integrais ou parciais, conforme a renda do candidato e tendo como critério de seleção a nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). O objetivo principal do ProUni é elevar a atual taxa de jovens entre 18 e 24 anos que cursam uma faculdade, de 10,4% em 2006, segundo o MEC, para 30% em 2011.

O gerente de contas a receber e filantropia da Universidade Metodista de São Paulo, Oswaldo de Souza Júnior, afirma que a médio e longo prazo o ProUni pode quebrar paradigmas. “O programa é uma forma eficiente de inclusão social, possibilitando que jovens de grupos familiares com carência econômica ingressem na universidade”. O professor explica que, em muitos casos, os bolsistas poderão ser os primeiros em seu grupo familiar a obter um curso universitário.

O governo federal também procurou investir em educação para o nível básico e médio ao criar o Programa Nacional de Inclusão de Jovens, o ProJovem. O projeto, mantido em parceria com os municípios, consiste em oferecer educação regular e cursos de inglês e informática para alunos que concluíram a quarta série, porém não chegaram a finalizar o ensino fundamental, além de obter uma bolsa auxílio de R$ 100,00.

Resgatar a instrução de quem nunca teve oportunidade de freqüentar uma escola também é importante. Nesse sentido, projetos de alfabetização são imprescindíveis. O Mova, Movimento de Alfabetização de Adultos, surgiu em 1989 durante a gestão do educador Paulo Freire na Secretaria de Educação do Município de São Paulo, e é mantido em parceria com entidades assistenciais e igrejas.

O responsável pelos serviços técnicos educacionais da Coordenadoria da Educação do bairro Ipiranga, em São Paulo, Douglas Sanches da Silva, explica qual o perfil dos atendidos. “Nosso objetivo é justamente atingir aquela camada excluída do processo escolar, que nunca teve contato com a educação”. Para ter acesso às salas de aula do Mova, o aluno deve ter no mínimo 16 anos e ser comprovadamente analfabeto.

São apenas 20 alunos por sala, com aulas de duas horas e meia de duração, de segunda a quinta-feira. “Não há um limite de tempo para que o aluno conclua o processo de alfabetização, pois cada um tem conhecimento e ritmo de aprendizado diferentes”, diz Sanches.


Ensino Fundamental

Para que o indivíduo consiga completar sua formação nos diversos níveis, é necessário primeiramente um bom ensino fundamental. Além do conhecimento teórico-prático, o desenvolvimento de valores humanos é essencial para a formação da personalidade, e conseqüentemente de melhores cidadãos. É com esse objetivo que alunos do curso de psicologia da Universidade Metodista de São Paulo desenvolvem o “Projeto Amigo”.

Coordenados pela professora Luana Carramilo Going, os estudantes atendem três vezes por semana crianças de 7 a 14 anos, residentes nas favelas Naval e do Coca, em Diadema, no ABC Paulista. Por meio de jogos e de história de contos de fadas, as crianças desenvolvem habilidades de raciocínio lógico e discutem inconscientemente lemas morais. “O conto de fadas tem todo um aspecto psicológico. Ele é montado e remontado pela história da sociedade. E a criança, ao recriá-lo, acaba trabalhando sua psiquê”, explica Luana, em relação ao desenvolvimento da personalidade. Ela afirma que os jogos constróem um desenvolvimento moral, e conseqüentemente conscientizam as crianças de seu papel como cidadãs.

Fonte: Paulo Cesar

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